Bravus Race 2015 – Etapa Speed SP

Oi pessoal!
 
No último domingo, 26 de abril, aconteceu no Jockey Club de São Paulo a Bravus Race – Etapa Speed, a maior corrida de obstáculos do Brasil, que em 2015 acontece em sua 2ª edição. Essa não é uma corrida comum, mas sim um verdadeiro teste de superação! Os 6 mil participantes tiveram que ultrapassar 17 obstáculos distribuídos em 5 kmda arena, testando seus limites em barreiras como fogo, lama, arame farpado, escalada e muitas outras surpresas inspiradas nos treinamentos militares. Eu (@thaalves) estive por lá e vou contar pra vocês como foi!
A inscrição custou R$135 e foi feita em equipe pelo próprio site da Ativo. A retirada dos kits aconteceu na Loja Decathlon do Shopping Lar Center nos dois dias anteriores à prova, e foi bem tranquila. Todos os participantes assinaram um Termo de Responsabilidade que esclarecia os riscos da prova e isentava a organização de qualquer culpa por eventuais acidentes (lesões, contusões, fraturas, e até morte – confesso que ao ler, deu aquele medinho hahahaha), já que o participante deveria ter ciência do estilo da corrida e considerar-se treinado e apto para realizá-la. O kit era bem comum, composto por uma camiseta de algodão, número de peito, chip, pulseira de identificação e sacola.
 
A largadafoi organizada por baterias a cada 10 minutos, começando às 6h30! As nossas equipes (estávamos em duas de cinco pessoas cada) ficaram nas baterias 18 e 19, mas conseguimos largar todos juntos às 9h30 da manhã. Como a prova começou muito cedo e as largadas eram espaçadas, não tivemos problemas para parar o carro nos arredores do Jockey e também não estava tão cheio, o que foi um ponto muito positivo! Também existia uma área de espectadores que dava uma boa visão para grande parte dos obstáculos, então o público pôde divertir-se e torcer pelos participantes.
 
Antes da largada, a bateria fez um aquecimento e todos ajoelharam-se para dizer os Dez mandamentos de um Guerreiro Bravus, que eram os seguintes:
 
– Não vestirás a sagrada camiseta da Bravus em vão
– Irás divertir-se acima de todas as coisas
– Respeitarás vossos limites
– Não temerás nenhum obstáculo
– Enfrentarás todos os vossos medos
– Não burlarás nenhum obstáculo que não seja capaz de superar
– Ajudarás vossos companheiros, mesmo que não façam parte da vossa equipe
– Respeitarás vossos companheiros de prova
– Terminarás o percurso sujo de lama e limpo de alma
– Jamais esquecerás dessa experiência
 
Antes de passar pelo pórtico, havia uma barreira de madeira que deveria ser ultrapassada, já ditando o espírito da prova. Segundo a própria organização, “a Bravus Race não é uma competição, mas uma experiência de superação. Esteja pronto para ajudar e ser ajudado”. Portanto, combinamos que nenhum companheiro seria deixado para trás, nos ajudaríamos e terminaríamos juntos.
 
Obstáculos
 
Achei a prova bem equilibrada entre obstáculos fáceis, intermediários e difíceis. Os três primeiros, Campo Minado, Teia da Aranha e Barricada foram bem tranquilos. O primeiros eram uma sequência de pneus, seguida de uma rede por onde deveríamos rastejar e mais pneus. O terceiro era formado por barreiras que atravessamos escalando ou passando por baixo. Nesse último a equipe toda se uniu, e os homens fizeram “pezinho” e ajudaram a meninas nas paredes altas. Uma novidade dessa prova em relação à primeira edição foi o quarto obstáculo, Vertigem, um trapézio construído por cintas que os participantes deveriam escalar, rolar e descer. Podemos considerá-lo fácil, mas para quem tem medo de altura foi realmente uma superação (a Simone, que estava na nossa equipe, rolou de olhos fechados, mas não desistiu!!!).
 
Primeiros obstáculos (Foto: Adam Tavares, retirada do facebook oficial da prova)
Vertigem
 
Em seguida veio um dos mais temidos por todos e, pra mim, o mais traumático da prova: a Sibéria, um tanque de água e gelo que te obriga a mergulhar a uma temperatura de 0º! O corpo todo formiga, e fiquei sem sensibilidade nos pés por uns dois minutos – mas a alegria de ter ultrapassá-lo compensou! Continuamos todos juntos e chegamos a outro obstáculo desafiador, o Vietnã. São 12 metros de um campo formado por arame farpado (que fica a apenas alguns centímetros do chão), por onde rastejamos sob em meio a muita lama e pedras. É bem cansativo e quase todo mundo saiu com os cotovelos, braços e pernas ralados devido aos pedregulhos, além de inteiramente sujos (no fim consegui rolar sob o arame ao invés de utilizar o apoio dos joelhos e cotovelos, o que foi uma boa estratégia para descansar).
 
Seguimos então para o Muro das Lamentações, uma sequência de barreiras de 3 metros que deveriam ser superadas. Mais uma vez, o espírito coletivo foi fundamental, pois era necessária ajuda para escalar e aterrisar em segurança! O próximo obstáculo era o Alcatraz, onde corremos (ou tentamos!) em um banco de areia carregando um bloco de 20 kg de concreto amarrado em corrente. Senti um pouco de dificuldade já que estava sem tênis de trail e escorregava bastante ao arrastar o peso, mas deu tudo certo!
 
Aí veio ela, a grande estrela da corrida: Monte Bravus. O pessoal que fez ano passado disse que eles diminuíram um pouco a altura da rampa (era de 4 metros), mas isso não tira a magnitude do obstáculo! Eu tive bastante medo dele e achei que não conseguiria, pois a lama torna tudo bem escorregadio. Após observar os outros participantes, decidi que tentaria a sorte pelo lado que os participantes seguravam cordas em forma de alça, e não apenas davam as mãos (sou baixa e teria que alcançar uma altura maior para agarrar com segurança quem estivesse em cima, e pretendia usar a força das pernas para facilitar). Segui os conselhos do meu treinador e tomei o máximo de impulso que consegui correndo a mil, e agarrei a corda aterrisando com os dois pés na rampa. Isso facilitou absurdamente minha subida, e fui içada entrando de pé na rampa! No fim das contas, subi de primeira e foi muito mais fácil do que eu imaginava – provando mais uma vez a mim mesma que nada é impossível! Alguns amigos da equipe não conseguiram subir mesmo com várias tentativas pelo lado das mãos, indicando que a minha escolha foi certeira (fica a dica para quem fizer as próximas edições!).

Comentários do espectador:

SALVE, RUNNERS! Guess who’s back? 😛
It’s me, Don Amorim (@dontrakinas). Por foco nas maratonas e uma leve lesão na manhã da prova, eu fui apenas espectador nessa, mas acompanhei a Tha nos obstáculos e eu vou fazer os ‘comentários do espectador’ sobre o que a galera estava falhando e tem que fazer para não sofrer tanto no obstáculo (caso você pretenda fazer a próxima etapa dessa prova).
Vamos lá: MONTE BRAVUS. O mais temido dos obstáculos. Um quarter (sim, o nome é quarter por que ele é 1/4 de um pipe. O skatista aqui sou eu então manjo dos paranauês! 😛 ) completamente lameado que dificultava a subida dos participantes. Mas o maior inimigo da maioria aqui não era nem o obstáculo em si, mas a execução para chegar ao topo. Muitos dos participantes na ânsia de segurar na mão de alguém e ser puxado se jogava, literalmente, de peito no quarter logo após a transição (a parte curva do quarter). O que é errado. A tática certa aqui é manter o pique e continuar subindo o quarter até a parte vertical, então, aí sim, esticar o braço em busca de ajuda. Eu sentia muita dó da galera dando infinitas peitadas no obstáculo sem nem chegar próximo ao cooper (a parte de cima da rampa), e logo, da ajuda. #FikDik
Monte Bravus: vai encarar?
A subida por cordas era bem mais fácil que pelas mãos dos companheiros!

Depois desse desafio, chegamos ao próximo: Por um fio. Um muro de 4 metros que deveria ser ultrapassado através de cordas. Esse parece simples, mas foi bem difícil por exigir força e resistência. O truque foi utilizar os nós das cordas para impulsionar o corpo para cima com os pés e mãos, e usar as saliências da madeira como ponto de apoio. Mais um sucesso de equipe, que trabalhou junta para que ninguém ficasse para trás!

 
Por um fio: Muita força física
 

Também tivemos outros obstáculos que não me recordo a exata ordem, mas que exigiram habilidade, força e resistência: o Swing do Gorila e o Presente de Grego. No Swing, nós deveríamos atravessar uma piscina de água enlameada balançando em uma corda (qualquer semelhança com o Tarzan é mera coincidência!), e nesse eu falhei lindamente, caindo bem no final com as pernas na água (fuén fuén hahaha). Já o presente de grego foi bem isso mesmo, carregar baldes cheios de pedras (o das meninas era só até a metade!) por um caminho de areia, e descarregá-los.

Comentários do espectador:
O Swing do Gorila é um obstáculo MUITO legal e desafiador. Para passá-lo é necessário apenas UMA coisa: não jogar o seu peso pra baixo e sim pra frente. Muitos dos participantes apenas pegava a corda e se jogava, e então, Tiploft! Caia água à baixo. A Tha fez a execução correta do movimento, só foi infeliz que a corda não chegou por pouco ao outro lado, fazendo-a cair bem no final MESMO. Outra dica importante é colocar a mão acima do nó que há na corda: isso vai te dar suporte para atravessar e evitar que sua mão escorregue durante a travessia.
 
 
Pessoal animado após o Swing do Gorila
 

Outro obstáculo super difícil da prova foi o King Kong, uma estrutura de 10 metros de ‘macaquinho’ (ou trepa-trepa hahaha) que formava um ângulo – ou seja, subida e descia. Nessa altura da prova já estávamos exaustos e tínhamos passado por várias etapas que exigiram força dos braços, então eu estava bem cansada e com as mãos cortadas pela corda do Swing. Aí eu fiz o que não deveria ter feito: desisti (shame on me!). Até cheguei a começar, mas minha mão estava escorregando demais nas três primeiras barras, e sabia que cairia… então paguei 20 burpees com flexão e segui em frente.

Comentários do espectador:
O King Kong é o obstáculo onde você deve ter o mínimo de preparo físico e força nos braços, costas e, pasmem, abdômen. Sim, a região chamada de ‘core’ (área do abdômen e lombar) é super importante na execução do King Kong. Na subida é muito importante que você mantenha os braços bem firmes nas barras e as pernas para frente (forçando o abdômen) ou para trás (forçando o oblíquo e a lombar). Se você ficar com as pernas para baixo seu peso será maior, e também a chance de você falhar piamente.
Mas, se assim como a Tha, você sentir que vai escorregar e cair, não tenha vergonha. Que pague a penitência – que é bem pesada, btw. 
 
King Kong: arreguei! (Foto: Adam Tavares/Facebook da Bravus)
 

Ainda tivemos outros obstáculos como o Serra Pelada, formado por montes de lama e buracos cada vez mais fundos (foi bem divertido escalar a lama, mas a ajuda dos homens foi fundamental), e o Meia Tonelada, no qual carregamos sacos de areia por alguns metros. Os dois últimos obstáculos foram o 1000 Volts, onde atravessamos 12 metros de fios desencapados (eu não senti nada, mas os fios encostaram de maneira mais proeminente em alguns amigos, que sentiram uma paralisia momentânea), e o Fogo do Inferno, uma linha de toras em chamas que foi pulada.

Fogo do Inferno (Foto: Don Trakinas <3)
 
Após uma corrida em que a união e o trabalho em equipe foram mais importantes do que a superação pessoal, a chegada não podia ter sido diferente: de mãos dadas, todos juntos e felizes (Tempo oficial: 02:01:39). Eu simplesmente AMEI a prova, uma das experiências mais incríveis que já vivi! Uma corrida de obstáculos exige o mínimo de condicionamento físico, pois grande parte das barreiras exigem força física, agilidade e equilíbrio, mas não é impossível de ser realizada para quem treina musculação e tem amigos sensacionais! As equipes de Cross Fit claramente se deram melhor e passavam com facilidade pelas estações (e ajudavam a todos, o que achei incrível!), me dando mais vontade ainda de experimentar essa modalidade de exercício!
  
 
Algumas dicas:
 
– Vá com roupas velhas, mas tenha cuidado: camisetas de tecidos leves, que sequem rápido, e calças (para não arranhar tanto as pernas) são os mais indicados. Usar maiô/biquíni e sunga por baixo da roupa também facilita muito na hora de limpar-se nas mangueiras depois da prova. Leve toalha, uma muda de roupa limpa e sabonete (siim, vi muita gente se limpando com sabonete nas ‘duchas’, o que facilita a retirada da lama em uns 80% hahaha)

– Use luvas de treino nas mãos, ajudam muito! Eu não usei tênis de aventura/trail pois não quis estragar meu lindo Salomon nessa prova, e não senti tanta necessidade (usei um Nike Vomero 6 bem velhinho). Mas vai de cada um!

– Recomenda-se colocar o número de peito nas costas da camiseta, e vi que muitas pessoas encaparam com plástico ou papel contact, para que a lama não estragasse e ele continuasse visível. Achei uma boa ideia!

– Use filtro solar! Mesmo com mormaço e toda suja de lama, me queimei.

– Alimente-se bem antes da corrida, pois ela é longa e demandará muita energia e força. Hidrate-se em todos os postos durante o percurso, você vai sentir a necessidade.
 
No site da ativo é possível encontrar mais artigos com dicas de como se preparar para uma corrida desse tipo, que roupa usar e outras informações, vale a visita! Mais fotos e vídeos da corrida no instagram oficial da Bravus.

A Bravus Race 2015 ainda conta com mais duas modalidades de prova além da Speed, a etapa Arena (3k e 10 obstáculos) e a etapa Monster (10k e 25 obstáculos), e promete fazer ainda mais sucesso! Ela acontecerá também nas cidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, além de SP, e vocês podem ter mais informações sobre as datas e valores aqui.


Segura essa bronca! Parabéns, Tha! 😛

 

 
E aí, deu vontade de participar? Qual foi a ultima vez que você superou seus limites? (RE) DEFINA SEUS LIMITES!
 
 
 
Um beijo,
Tha (e Don! o/).
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