Novidades Uphill 2016 (ainda mais ninja) e review 2015 (Por Renan Collodoro)

Fala, galera!

Quem aí também ficou super animado há dois finais de semana com a Uphill? o/
E quem já saiu pensando em quando vai encarar esse desafio? Rs

Para botar mais emoção em quem já estava ansioso com os amigos prestes a subir a serra, o congresso técnico já liberou novidades para 2016 no próprio sábado e na última semana  já abriram as pré-inscrições para o ano que vem! Sim, a procura foi tão alta esse ano que tiveram que alterar o modelo pro formato de sorteio.

E não sei se foi só na minha timeline, mas parece que geraaaal quis se inscrever não é não? Rs…

A Uphill 2016 será dia 3 de Setembro e a pré-inscrição vai até dia 21 de Agosto de 2015 através do site www.mizunobr.com.br/uphill2016 com um valor de R$ 10 por modalidade escolhida (todo o dinheiro arrecadado com a pré-inscrição será destinado para a Associação Bonjardinense de Turismo).

Modalidade? Yeah, baby!

Aos que ainda não viram, a Mizuno introduziu mais uma opção de percurso, além dos 42 km: a prova de 25 km e foi criado, ainda, o Desafio Samurai, com 25 lugares destinados aos atletas com coragem de encarar no mesmo dia as provas de 25 (com largada às 7h) e 42 km (largando às 16h30).

No total, serão abertas 525 vagas para os 25 km, 475 para os 42 km e 25 para o Desafio Samurai.

E claaaro que esse desafio onde só vão participar 25 insanos tem que comprovar tempo. Muiiita gente já ficou extremamente chateada ontem, mas enfim, galera, bola pra frente por que a organização também visa a saúde de todos os inscritos. 😉

A divulgação dos contemplados pelo sorteio, a ser realizado e auditado por uma empresa especializada, será feito a partir do dia 3 de setembro deste ano, exatamente um ano antes da prova. A confirmação da inscrição deverá ser feita até o dia 10 de setembro, com os seguintes valores: R$ 130,00 (25 km); R$ 190 (42 km); e R$ 300 (Desafio Samurai).

Também será divulgada uma lista de espera, definida via sorteio, que será utilizada para substituição de atletas em casos de desistências ou não confirmação de pagamento de inscrição dentro do prazo determinado.

MASSSS e aí? Como é que foi esse ano?

Nós não estávamos lá, mas ganhamos um correspondente voluntário aqui no C4F que vai contar para vocês como foi a experiência dele em virar um NINJA e vencer a temida Serra do Rio do Rastro!

Quem é? Ninguém mais ninguém menos que o nosso querido @10ktododia, Renan Collodoro 😀

Welcome, Renan! =) Quebra tudo aí!

Muito obrigada por dar seu depoimento e colaborar no C4F!

Parabéns, NINJA!

REVIEW UPHILL 2015 BY RENAN COLLODORO (@10ktododia)

Depois de 9 meses de espera, chegou o momento de colocar as coisas no carro e partir rumo à Treviso-SC, desde Novembro de 2014, quando fiz a inscrição para a Mizuno Uphill Marathon, esperei pela hora de colocar as coisas no carro e pé na estrada.

Chegado o momento, o que seriam pouco mais de 11h de estrada para enfrentar os 900km que separam a cidade de São Paulo e a cidade de Treviso para quem já esperou 9 meses pela prova? Nada, pois era o momento de colocar as ideias em ordem e mentalizar a estratégia para a prova.

Quando chegamos em Treviso, no ginásio de esportes da cidade, onde estava montada toda a estrutura da retirada de Kits da Mizuno Uphill Marathon 2015, nos surpreendemos com a estrutura, logo na retirada de kit, ao lado de fora do Ginásio, pessoas bem humoradas e dispostas a resolver o problema.

Falo em problemas porque meu número veio trocado, colocaram no meu kit o 419 ao invés de colocarem o número certo, que era o 418, tão logo verifiquei o problema, já entraram em contato com a pessoa que tinha retirado o kit com o outro número e me entregariam no dia seguinte, o que realmente foi feito.

Passado esse pequeno problema, entramos no Ginásio de esportes e nos surpreendemos com toda a estrutura montada, além dos painéis onde todos os corredores adoram tirar fotos, também tinha uma esteira para fazer o test-drive do Mizuno Wave Sayonara edição especial da Uphill 2015, uma loja Mizuno e, acreditem, um belo coquetel com café, suco, caldo de feijão e outros quitutes tanto para os atletas como para seus acompanhantes.

Ali já conversamos com vários outros amigos que iriam fazer a prova e o clima, além de muita animação, era de ansiedade para todos, pois quem estava ali pela primeira vez, não sabia o que enfrentaria no dia seguinte.

Depois de muita conversa e descontração, momento de ir para o hotel e descansar da longa viagem que fizemos, não sem antes comer aquela incrível pizza para armazenar um pouco de carboidratos para o dia seguinte.

Obviamente a noite seria de muita ansiedade para que chegasse logo o momento, não só de mim, mas de muitos corredores, e depois do café da manhã no hotel em Criciúma, partimos de novo para Treviso, e de lá só sairíamos na hora da largada, às 16h30 do sábado, dia 01/08/2015.

No sábado pela manhã teve um congresso técnico explicando alguns pontos importantes da corrida, além de já avisarem como seria o desafio para 2016, com o incrível desafio Samurai, onde 25 atletas serão selecionados para enfrentarem 25k pela Serra do Rio do Rastro pela manhã e 42k à noite, o que animou muita gente para poucas vagas, assim como já é a Uphill normalmente.

Ainda tivemos a oportunidade de assistir uma palestra da Karina Oliani, a mais jovem brasileira a escalar o Monte Everest, com dicas incríveis sobre como nunca pensar em desistir de um sonho, mesmo que seja sofrido como uma Maratona, afinal de contas, estamos ali porque gostamos, por prazer, nada mais justo do que irmos até o fim, independente de quão tortuoso seja o caminho.

Em todo o congresso técnico e palestra a estrutura ainda impressionava, pois além do coquetel, começaram a servir sopas e uma macarronada muito boa para os atletas e acompanhantes, com garçons servindo um a um, não faltavam frutas para todos, além de muita água, pois hidratar seria preciso, ainda tínhamos 42km195m na Serra do Rio do Rastro pela frente.

Acabado a palestra algumas pessoas nos convidaram para subir de carro pela Serra, para ver o que nos esperaria mais para o fim do dia, eu, particularmente, não queria conhecer, queria aguardar para ver a serra somente quando chegasse por lá, correndo, pois de alguma forma poderia atrapalhar o meu psicológico, o que não seria uma boa ideia, visto que uma Maratona já é algo difícil, em subida, mais ainda.

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E o relógio bateu 16h10 e o locutor logo convocou todos os atletas para o pórtico de largada, ali o nervosismo começou a bater, familiares e amigos já tinham que ter subido a serra de carro para nos esperar na chegada, então estávamos em 600 atletas posicionados e os moradores da cidade que saíram de suas casas para prestigiar a largada.

Ao som de Metallica, com a música “Enter Sandman”, foi dada a largada, pelos dos braços arrepiados e vamos embora enfrentar logo essa corrida que tanto esperamos. Logo no início, do primeiro para o segundo km começou um chão de cascalho meio chatinho, onde tínhamos que prestar bastante atenção onde pisávamos para não estragar a prova logo no início, olhos no chão e bem atentos e assim seguimos por quase 2km.

A contagem de km dessa prova é regressiva, então saímos desse cascalho com a marcação de faltam 38km e fomos correndo, felizes, era só olhar para o lado que víamos a expressão feliz de cada um que estava ali, mas aí começou a brincadeira, quando avistamos a placa de faltam 37km começou uma subida de aproximadamente 5km, mas antes um posto de água para dar aquela amenizada na galera.

Outro ponto importante, os postos de água foram estudados e colocados estrategicamente em alguns pontos da prova, a cada 5km antes de serra e nos momentos mais difíceis, a cada 2km, além de dois “special points” no 21km e no 12km (início da serra) com banana, gel, Coca-Cola, isotônicos e algumas frutas secas para os atletas.

A prova até o km 30 tem bastante variação de altitude, com subidas e descidas e esse ano teria um tempo de corte na placa de faltam 24k em 2h35, passei com 1h55 nesse ponto. Até ali a prova estava perfeita, com um belo pôr do sol por trás da serra e imagens impressionantes da natureza, onde nós das grandes cidades temos pouco privilégio em ver, cada vez mais dava pra ver na cara de todos o prazer de correr em um lugar tão perfeito.

Ao mesmo tempo que anoitecia comecei a perceber que a head lamp iria me fazer falta, esqueci de colocar na mala de viagem e comecei a depender de outros atletas para ter uma boa visão da prova, pois a cada minuto ficava mais escuro e não sabíamos muito bem para qual lado seria a curva e qual era a subida que teríamos naquele momento, o que confesso que me ajudou muito (hehehe).

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Os quilômetros iam ficando para trás e o ritmo nunca era o mesmo, as vezes eu conseguia manter em 5:30, outras vezes nas subidas em 6:30, chegando em alguns momentos a quase 7min/km e a escuridão tomou conta de tudo, em um momento que me vi sozinho na prova, lembrei que estava com o celular e liguei o flash dele para poder me guiar por alguns momentos.

Até o km 30 estava tudo bem, passei nesse ponto com 3h09 de prova e ali a brincadeira começou a ficar séria, daquele ponto para frente, não haveria mais descidas, apenas subidas intermináveis e a temida Serra do Rio do Rastro.

A partir desse ponto correr já não era possível em 100% do tempo, muitas subidas já teriam que ser enfrentadas caminhando, pois se forçasse demais ali, poderia estar desgastado para os últimos 7km, onde a prova realmente mostraria suas inclinações.

Eis que chega o momento, onde a Serra começa a ser iluminada, onde a Serra do Rio do Rastro dá o seu cartão de boas-vindas, e você percebe isso rapidamente, quando o chão muda de um asfalto normal para concreto com algumas ranhuras, assim como são feitas as pistas de aeroportos para evitar que os carros que passam por lá escorreguem em dias de chuva ou geadas, já que nesse ponto as baixas temperaturas dominam.

Ali já começamos a sentir o frio batendo, mesmo assim a temperatura estava perfeita para correr, mas já saia aquela fumacinha da boca a cada respiração um pouco mais ofegante.

A partir desse ponto as inclinações chegavam a até 58%, para você ter uma ideia do que isso significa, coloca a esteira da sua academia na inclinação máxima, ela chega a quanto? 15%? Agora multiplica isso por 4 e veja o grau de dificuldade que essa prova exige, mantendo o mesmo tempo de corte de uma maratona normal, 6h para completar.

Quando passei de uma curva e olhei por toda a serra, além de ter me arrepiado com um visual lindo da serra toda iluminada, ainda pude ver de longe um caminhão subindo uma das grandes inclinações que de longe consegui ver e pensei, agora estamos todos ferrados, pois parecia ser bem difícil enfrentar esses últimos 5km.

Eu já tinha na minha cabeça o tempo que eu queria fechar, que era perto de 5h15, olhei no relógio e vi que teria que me esforçar bastante na subida, já que tinha me poupado bastante até ali, então coloquei em prática o que eu vinha idealizando nos últimos meses, hora de colocar o fartlek em prática.

Na subida não tem descanso e eu me recusei a fazer ela inteira andando, então minha estratégia foi fazer 300m andando e 700m correndo e ali fui passando muita gente e sendo ultrapassado por outros também, mas percebi que me poupei o suficiente pra enfrentar tudo da forma que eu queria.

Até o km 40, com suas subidas intermináveis, a Serra do Rio do Rastro botava medo, até o mais experiente dos atletas respeitava a prova, mas a partir daquele momento nada mais me deteria, nem se eu tivesse que terminar rastejando, não sei como, mas naquele momento veio o último suspiro, as pernas voltaram a responder e consegui imprimir um ritmo de 6:30 no último km de subida e depois na parte plana até a chegada.

Demorei exatos 2h07 minutos para fazer os últimos 12km da prova, o que em uma corrida normal eu faria perto de 1h, mas isso não importava, quando comecei a escutar o locutor e toda a festa que tinha na chegada, só soube aumentar o ritmo e chegar logo ali.

Acompanhado nos últimos metros pelo amigo Chris Chow e com o tema da vitória (tocado nas vitórias de Ayrton Senna na F1), nesse momento avistei minha esposa e corri pra dar um beijo nela antes de cruzar a linha, pois o apoio que recebo em casa que me faz ir a lugares que jamais imaginei.

E na linha de chegada aquele berro, provando pra mim mesmo que seria possível, que a partir de agora eu era um Ninja Runner, pois eu venci a Serra do Rio do Rastro. Foram exatamente 5h16m31s de prova pra mim, ou seja, dentro da minha meta e o melhor sentimento que poderia existir, sentimento esse que me faz querer que tenha uma prova dessa todos os fins de semana, pra eu poder enfrentar a mim mesmo sempre e poder sorrir da melhor maneira possível, sentimento esse que seria incompreensível por pessoas que não correm.

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Nesse momento o choro tomou conta, pois eu consegui, eu sou um Survivor da Mizuno Uphill Marathon 2015, quem me acompanha sabe que as duas maratonas que fiz esse ano não foram boas, então terminar 100% uma prova dessas foi perfeito, um sentimento único, tenho que agradecer muito meu coach que aceitou o desafio em me deixar pronto para essa prova em apenas 2 meses e fez com muita maestria.

Depois da chegada outra surpresa, a estrutura feita pela Mizuno para os atletas que cruzavam a linha com uma sala climatizada, cobertores térmicos, chocolate quente, sopa, isotônico, bananas e muitas outras coisas para todos os Survivors.

Depois de aproveitar tudo isso, hora de sair da sala e correr para os braços da esposa, chorar junto com ela que viu meu sofrimento nas duas maratonas, que viu meu sofrimento quando quebrei na maratona de São Paulo em 2014, onde desmaiei por causa do calor, hora de dedicar e dar a medalha para essa pessoa que está sempre comigo e merece, obrigado Vivian Alves, EU TE AMO.

Fim de prova e hora de tirar fotos, receber presentes e aproveitar da incrível vista do Mirante da Serra do Rio do Rastro e acompanhar todos os corredores que ainda subiam a serra, sem perder a vontade e a garra de chegar até o fim.
Mizuno Uphill 2016, me aguarde que quero lhe usar.

Temos que agradecer toda a galera do Staff da prova, desde o lugar da retirada de kit, passando pelos postos de água e a chegada, eles não imaginam a importância que tem para que um corredor consiga completar os seus sonhos, além de que, nessa prova, em especial, eles foram perfeitos.

Escrito por Renan Collodoro (@10ktododia)

São Paulo – SP

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